segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

CPA

Não posso me enganar, vir pra Cuiabá sem estar no CPA, não é a mesma coisa.
Lá é onde eu me sinto em casa.
Onde tudo se encaixa quando eu olho pra minha história antes de São Paulo.
Estou sem referência do que fazer, como agir, por onde começar...
Está estranho.
Estar com as minhas sobrinhas está sendo divertido e muito importante.
Ter ido a Porto Velho conhecer meu sobrinho lindo que eu ainda não conhecia e passar uns dias com minha irmã e meu cunhado que a cinco anos eu não via,
mudou muita coisa no momento em que eu estou vivendo...
No entanto no aspecto me sentir em casa aqui em Cuiabá eu reconheço que
estou passando por uma frustração.
Ainda que o Boa Esperança tenha esse belo nome como bairro,nada lá me
trás a sensação de estar em casa.
O CPA me trás simplicidade.
É assim que eu vejo a minha história no CPA.
Quando eu nasci, a nossa casa no CPA 3 era de chão batido,
e lá em aprendi a engatinhar, até que tudo foi melhorando.
Lá, tive minhas primeiras festas de aniversário. Minhas primeiras amizades.
Minha primeira escolinha. Lá eu brincava de calcinha e pés descalços no asfalto e depois ir dormir com o pé sujo.
Lembranças não faltam...
Quando eu me mudei para a casa do CPA 2, me lembro que passei por uma crise.
Afinal na Rua Pará não tinha mais crianças como tinha na rua 5.
As crianças já estavam adultas, a infância na rua, foi marcada na geração das minhas irmãs, quase vinte anos mais velhas que eu.
A minha referência estava na rua cinco. Portando eu continuei indo lá.
Lá concentrava as crianças de outros quarteirões, de outros setores do CPA.
Não foi atoa que eu saí de uma escola particular gigantesca, que era o São Gonçalo,
pra estudar no Victorino Monteiro da Silva, escola pública de quebrada, quase lá no CPA 4.
No outro ano eu fui estudar no Médici no centro de Cuiabá.
Mas lá eu continuava a me encontrar com outros alunos que também moravam no CPA, e na saída da escola era aquela gurizada em peso voltando de ônibus, depois de passar
pela praça Alencastro.
Essa época eu já andava de skate. E eu pude vivenciar um pouco da praça cultural do CPA 2. Um pouco antes disso, lá era o lugar onde a gurizada se reunia pra andar de skate e onde tinha os campeonatos.
Sem contar as festas que a prefeitura fazia pro povão.
Fora isso só na pista do Ipase, em Várzea Grande.
E a gurizada saía do CPA, e atravessava Cuiabá inteira pra poder andar na pista de concreto em VG.
Mais pra frente se deu a construção do Ginásio Robertão com a primeira pista pública de Cuiabá. Atualmente conhecida como Verdinho.
Até os meus 17 anos, tudo que aconteceu na minha vida tinha esse lugar envolvido.
De algum jeito o CPA estava na historia.
Eu terminei o segundo grau no Médici, dando rolê em outras cidades, conhecendo pessoas de outros estados, experimentando centenas de sensações...
São Paulo se tornou uma nova referência, novas amizades, novos hábitos, novas posturas...
Ainda que eu não tenha vontade de voltar a morar aqui, não consigo contar as vezes em que eu me pego sentindo saudade desse lugar.
Hoje eu estou em Cuiabá, e me pego sentindo saudade do CPA como se eu estive a mais de mil quilômetros dele...

Grande CPA.

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