Flor da Canela-de-ema

Continuando a pensar coisas
Me bateu uma saudade da terra onde eu nasci...
Das caminhadas pelas estradas de terra do cerrado,
entre pés de piqui e canela de ema.
Dos pés de manga e caju, com belos e saborosos frutos.
Das cachoeiras da chapada dos guimarães.
Das siriemas que atravessavam a estrada e ficavam um tempo
correndo na frente do carro.
Destabanadas demoram a se tocar e entrar no mato.
Saudades dos pássaros que todo final de tarde migram em bando
Formando belos movimentos no céu laranja de pôr-do-sol
Indo se amontoar em árvores do Pantanal e do campus da UFMT
Muitos deles são passarinhos cantadores do cerrado.
As garças fazem com que as árvores lembrem árvores cobertas de neve.
De tão branca que elas ficam.
Os tuiuius no pantanal. Esses cheguei a ver uma unica vez quando criança.
Das outras vezes só mesmo no zoológico.
Tudo tão belo... e mais valor dou agora que estou longe.
Pois durante um tempo desperdicei a chance de valorizar
toda beleza e encanto daquele lugar.
Dos pratos tipicos o que mais sinto falta é do arroz com piqui e farofa de banana.
Minha nossa! Farofa de banana da terra é uma coisa!
Num é de banana da terra mirradinha não.
Pois lá, nossas bananas da terra são uns bananões!
hehehe
A Claudinha da ultima vez que fui a Cuiabá, trouxe umas
do distrito de Nossa Senhora da Guia.
Eu até cheguei a trazer no avião umas, mas isso foi começo do ano.
O céu estrelado de lá é o mesmo de todos os lugares,
Só que com uma diferença:
Percebe-se melhor os furos desse teto. E a luz que por eles passam.
Fechando os olhos agora, me veio a imagem do janelão lá de casa.
O janelão da biblioteca.
Que quando aberto se pode ver o morro de Santo Antônio de Leverger.
Os telhados das casas vizinhas até chegar lááá quase no centro...passando
pela Morado do Ouro e pelo Terra Nova.
Não é atoa que Cuiabá é chamado de cidade verde.
Do janelão se vê muitas árvores ainda.
Eu gostava de deitar no chão ou até mesmo na rede da biblioteca
pra olhar o céu.
Dependendo de como eu me posicionava eu tinha uma visão ampla do céu.
Se era de dia dava pra ver as nuvens passando...uma atrás da outras.
Se atardezinha dava para ver o céu mudando de cor de azul pra laranjado,
e quando anoite as estrelas.
Da janela do meu quarto sempre que era Lua cheia,
ela ficava bem de frente na minha janela.
Parece até que já vinha desde aquele tempo me ensinando a respeito da vigilância.
Recordo-me dos acampamentos em família na salgadeira,
Antes dos meus pais comprarem a chácara.
Outro dia estava lembrando dos pés de cajú que minha mãe plantou por lá.
Deve ter muitos deles ainda.
Assim que eu tiver uma oportunidade vou convidar ela e meu pai
pra gente dar uma paradinha lá e visitar os pés de caju.
Vida boa essa...
Me trouxe tantos presentes... e continua a me trazer.
Isso me faz lembrar uma coisa muito importante.
O ser humano reclama e mais reclama. E parece não estar satisfeito com
aquilo que ele tem nas mãos.
Enquanto que se ele olhar profundamente com olhos de gratidão verás
coisas belas.
Um exemplo é quando temos alguém do nosso lado que quer o nosso bem.
Que gosta da gente e faz grandes esforços pra manter uma harmonia e bem estar.
E aí de repente essa pessoa por alguma circunstância já não está mais presente
como estava antes...e isso trás um sentimento de falta.
E em algum momento posterior da vida vem no pensamento que podia se ter valorizado mais essa pessoa, e se esforçado mais pra aproveitar melhor a presença dela.
Digo isso pra qualquer pessoa.
Pode ser pai, mãe, irmãos, ex-namorado.
Quando eu tinha 15 anos eu tinha um namorado chamado Diogo.
E ele tinha uma dedicação tão bonita por mim.
Pra ele não importava o que eu vestia ou falava,
Se meus amigos era totalmente diferente dos dele,
Se ele andava de patins e eu de skate.
Importava o amor que ele sentia por mim.
O Diogo sempre encontrava um jeito de demonstrar seu carinho.
Mandava flores, me ligava, me levava ao cinema, me acompanhava nos rolês de skate,
montava umas artes no computador com foto...
Tinha dia que ele trabalhava o dia todo e no final do dia quando agente ia se ver, eu deixava de aproveitar a presença dele pra reclamar da vida, ficar expondo
angustias politico-filosoficas pra ele, e ele escutava pacientemente.
Enfim...
Naquele momento da minha vida, o maior presente não era flores, nem cinema.
Era o todo do Diogo. Um homem-menino.
Eu nem imaginava o quanto aquele sentimento era importante.
E por bobeira terminei com ele, deixei passar uma grande demonstração de amor.
O pior é que demorei a ser sincera com ele nessa situação
(em outras não deixei de ser)
E ele sofreu calado...na dele. Sem me dirigir uma palavra de magoa.
Sei disso porque anos depois viemos conversar sobre...
Eu não me permiti amar naquele tempo, talvez até pela idade que eu tinha.
Mas hoje eu agradeço por ter reconhecido essas coisas.
Por sentir que nunca mais quero tratar uma pessoa como tratei o Diogo.
Nem tratar minha mãe mal como já tratei... se eu pudesse voltar no tempo
consertaria o dia das mães que deixei de ficar com ela.
Eu havia saído no sábado à noite pra balada e fiquei domingo na casa de uma amiga o dia inteiro.
E domingo à noite quando voltei pra casa meu coração estava pesado.
E nem tinha cara pra dirigir uma palavra de feliz dia das mães pra minha mãe.
Conto isso porque esse final de semana que se passou, eu me recordei dessas duas situações
E de muitas outras as quais me arrependi de ter cometido.
Senti a luz do perdão no meu coração.
Eu me perdoei, mas precisava escutar da minha mãe que ela
também havia me perdoado.
Na primeira oportunidade peguei o telefone e liguei pra ela lá em Cuiabá,
e disse a ela:
-Mãe! A senhora se lembra de tal dia... assim assim assado?
Então mãe...quero pedir perdão pra senhora.
E aí ficou tudo bem. Tirei um peso do meu coração.
=)
O Diogo eu sei que entende o que passou, e também eu já havia pedido perdão pra ele.
Ele é uma boa pessoa. Espero que ele continue sendo o que ele é.
E que seja muito feliz com a companheira dele.
A minha família, principalmente minha mãe gosta muito dele, e todos querem o bem dele.
É bom quando aproveitamos as oportunidades.
Afinal tem coisas que não voltam mais.
Pre frente!

Pé de piqui/pequi
Milhões de Estrelas
Almir Sater
Nesse Mato Grosso
Desde os tempos de menino
Quando eu comecei a percorrer
Os seus caminhos
Desse chão eu fiz o meu lugar
Nos meus sonhos quis plantar
E a colheita há de vir
Como as cachoeiras
Nos teus rios cristalinos
Toda essa pureza deve ser
Um bem divino
E pode a nossa sede saciar
Nosso campo abençoar
Gerações fazer florir
Sou feliz aqui
Terra de gigantes
Onde bravos índios viviam antes
Onde além de ouro e diamantes
Tem milhões de estrelas
No horizonte
Sou feliz aqui
Terra de gigantes
Onde bravos índios viviam antes
Onde temos ouro e diamantes
Nas milhões de estrelas
No Horizonte